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Uma caixa de surpresas, uma experiência de descobertas: o LIVRO!
11/04/2013

Artigo de Gisele Menegatti, professora de Português de Teens da Escola Internacional de Alphaville

“Explosões cintilantes de beleza são uma das coisas
maravilhosas que a literatura nos propicia”
Ana Maria Machado (2002, p. 24)

Em 23 de abril comemoramos o Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor. Época já bastante propícia a se falar de literatura e da importância de ler, mas, além disso, é também o aniversário do grande escritor de histórias infantis Hans Christian Andersen, o que nos leva a pensar em um tipo específico de histórias, estas voltadas para um público muito especial, e exigente: crianças e jovens! No entanto, fazer nossos alunos se apropriarem de fato do hábito de ler e desenvolverem com êxito sua competência leitora é uma tarefa bastante árdua e que traz uma série de reflexões para qualquer educador.

As questões que permeiam esse processo é o que se deve tentar investigar e responder por meio de algumas de nossas práticas docentes que visem aproximar nossos alunos do mundo mágico da literatura através de atividades lúdicas e que despertem a curiosidade das crianças para os livros de maneira prazerosa e descontraída. 

Um dos primeiros desafios lançados ao educador dessa área é o de como levar a criança a ler e a descobrir as surpresas dentro de uma história. Leahy-Dios (2001) em seu estudo sobre o ensino de língua e literatura na escola destaca que em seu trabalho de pesquisa pôde perceber um baixo investimento das escolas nas atividades de desenvolvimento da competência leitora de maneira realmente eficaz:

A importância da leitura na escola, o prazer, o desenvolvimento da consciência
crítica obtida pela leitura são fatores raramente valorizados – o texto ainda
segue sendo tratado como pretexto para estudos lineares da língua, base
para exercícios superficiais e acríticos de “interpretação”. (p. 34)

 Em seu trabalho há ainda a menção de uma necessidade de se encontrar novas formas para a educação literária que atinja de maneira qualitativa os objetivos do ensinar e aprender literatura de forma efetivamente construtiva. Como levar a criança a ler é uma questão muito recorrente e, segundo, Ana Maria Machado (2011), renomada autora de livros infantojuvenis, é necessário apenas duas coisas: curiosidade e exemplo.

O que se faz necessário é despertar a curiosidade da criança, e isso
acontece quando se fala do livro, mostrando coisas. E também é
possível contribuir para desenvolver seu gosto pela leitura por
meio de uma coisa muito simples: servindo de exemplo. (p. 89
)

Mas é preciso refletir: o que entendemos por leitura?

Para Jouve (2002, p.17) “a leitura é uma atividade complexa, plural, que se desenvolve em várias dimensões”. Citando Gilles Thérien e sua obra Por uma semiótica da leitura (1990, p. 1-4), a atividade de leitura é descrita como um processo de cinco dimensões: neurofisiológica, em que são operados processos de percepção, identificação e memorização das palavras; cognitiva, pois, depois de reconhecer e decifrar os signos, o leitor deve entender do que o texto trata; afetiva, dimensão da leitura que está ligada às emoções que ela suscita; argumentativa, que parte da premissa de que todo texto apresenta, de forma mais ou menos nítida, uma intenção de convencimento; e a dimensão simbólica, que leva em consideração o contexto cultural em que cada leitor está inserido, interagindo com os esquemas dominantes de um meio e de uma época.

Portanto, a escola, ao promover o desenvolvimento do hábito de ler nas crianças, deve investir em atividades que despertem o prazer pela leitura por meio de processos afetivos, já que “o engajamento afetivo é de fato um componente essencial da leitura em geral” (JOUVE, 2002, p. 21) para, a partir do surgimento do gosto pela leitura nos alunos, ajudar a desenvolver suas habilidades leitoras no âmbito da dimensão argumentativa para que elas estejam preparadas para responder criticamente às interpelações desse processo e ampliar seu repertório para que transcendam os significados para além do texto, chegando com êxito aos processos da dimensão simbólica. 

Por exemplo, um leitor descuidado pode ler Palavras Aladas, de Marina Colasanti, e se encantar com as desventuras de um reizinho mandão que, por não suportar qualquer ruído, manda caçar e prender todas as palavras do seu reino e sobre ele construir uma enorme redoma para que não reste nele nada mais do que o silêncio. Porém, um leitor competente em suas habilidades de leitura percebe as nuances persuasivas do texto e transcende seu significado como uma crítica aos atos de censura tão comuns em alguns regimes políticos de uma (ou nossa) História recente (ou não).

O gosto pela leitura e a capacidade de transcendência é o que se pretende inculcar nas crianças ao se promover práticas de desenvolvimento de sua competência leitora com projetos e eventos em que os livros e seus textos não são apenas pretexto, mas todo um mundo novo de possibilidades que se abre para elas se apropriarem e, em conjunto, produzir conhecimento, pois como afirma Jouve “a leitura pode transformar as mentalidades” (2002, p. 22) e, para Ana Maria Machado, “o que é muito importante na literatura, que ela acaba propiciando a todos nós como bagagem para levar pela vida, [...] é essa formação de repertório” (2011, p.43).

Por que então Literatura Infantojuvenil?

Para Ana Maria Machado e Ruth Rocha (2011), autoras brasileiras renomadas, esse é um conceito relativamente novo e não basta adaptar a linguagem para diferenciar uma escrita para crianças. Porém, em seu estudo sobre a leitura, Jouve ainda levanta a questão de que uma obra literária só se impõe e sobrevive pelo público, ou seja, deve haver uma relação mútua entre escritor e leitor, o que significa afirmar que todo texto se dirige a alguém, isto é, pressupõe um leitor. Se há narrador, deve haver também um narratário, um leitor inscrito no texto.

Mediante o que diz e do modo como diz, um texto supõe sempreum tipo de leitor
 – um narratário – relativamente definido [...] Pelos temas que aborda e pela
linguagem que usa, cada texto desenha no vazio um leitor específico. (p. 36)

 Livros para jovens e crianças devem, então, não apenas apresentar uma linguagem adequada, mas uma temática específica que desperte o interesse das mais variadas faixas etárias e não ser apenas uma categorização mercadológica que dita quem, quando e o quê se deve ler. Quanto antes as crianças forem iniciadas nesse processo, mais chances elas têm de descobrir o prazer na leitura e, por isso, é muito importante que a literatura oferecida a elas nessa fase seja especializada e muito rica – segundo Ruth Rocha (2011,p. 39), deve “fazer referência a muitas coisas, de sair dos assuntos mais comuns, mais piegas e mais óbvios para assuntos diferentes, ou que explorem aspectos inusitados do trivial”.

Nos últimos quarenta anos, os estudos literários especificamente sobre o gênero vêm dedicando-se a investigar esse novo tipo de literatura e, com o aumento significativo de publicações na área, a literatura brasileira voltada para crianças e jovens vêm constituindo sua identidade epistemológica, por isso a relevância de tratá-la como um gênero específico e determinado.

Qual o papel da escola nesse processo?

Desenvolver a competência leitora é papel da família, do grupo social, enfim de toda a sociedade, a qual tem a responsabilidade de estender e garantir politicamente o domínio das habilidades de leitura e escrita a todos seus cidadãos, propiciando oportunidades iguais para que se desenvolvam nesse terreno. Mas é também papel da escola, a qual é atribuída, de maneira geral, a responsabilidade fundamental de propiciar uma sensibilização para a leitura, um contato maior com bons textos e autores consagrados e, assim, promover uma leitura de qualidade.

No entanto, a preocupação com a leitura e, consequentemente, com a produção escrita é moderna e foi o aparecimento da imprensa e a expansão da indústria cultural que tornaram ainda mais comuns os questionamentos sobre o tema. Nesse sentido, pode-se afirmar que o livro teve um importante papel nesse processo de valorização dos registros, já que era objeto essencial “em épocas nas quais a divulgação de textos era bastante pequena e difícil, ficando mais reservada a alguns poucos iniciados” (ROCCO, 1994, p. 18).

Em um mundo onde a informação chega cada mais rápido e por diversos meios, entender o histórico dos processos de registro e sua evolução é essencial para entender a importância do livro na era digital, pois “especialmente com relação ao livro, tantas vezes mitificado e visto como objeto litúrgico, começou-se a assistir a uma súbita desconfiança de que ele estaria em vias de desaparição, em virtude, principalmente, dos saltos da revolução eletrônica dos últimos tempos” (ROCCO, 1994,  p. 39).

Segundo Rocco, em seu artigo de há mais de uma década e meia, mas o qual vale ressaltar que permanece tão atual, o que parece ainda hoje é “que a escola continua se mostrando anacrônica e autoritária” em relação aos processos de produção de leitura. Se for esse o caminho que, de maneira geral, a escola vem traçando no desenvolvimento das práticas de leitura, é justamente pela via contrária que a escola deve seguir, com iniciativas que busquem aproximar o cotidiano dos nossos jovens e nossas crianças do universo literário com o objetivo de estimular a leitura pelo prazer, pois deve se mostrar “mais sensível às reclamações que chegam [...] em relação ao tema”, como julga ser necessário Rocco (1994, p.40).

Dessa forma, sem receitas prontas, podemos e devemos construir outras formas de ler, de ver e, consequentemente, de aprender. Portanto, é papel da escola, além de ampliar o contato dos alunos com os livros de forma lúdica, trabalhar a leitura como fruição e cuidar da forma pela qual o indivíduo constrói sua atividade de leitor. No entanto, é preciso destacar que tais práticas só podem se desenvolver por completo quando respaldadas pelas dimensões políticas, históricas e sociais que impulsionam o ato de ler. Enquanto isso, façamos nossa parte!


Referências bibliográficas

COLASANTI, M. Doze reis e a moça no labirinto do vento. São Paulo: Global, 2001.

JOUVE, V.A leitura. Tradução de Brigitte Hervot– São Paulo: Editora Unesp, 2002.

LAJOLO, M.“Literatura infantil brasileira e estudos literários”. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, n. 36. Brasília, fev. 2011. Disponível em: http://seer.bce.unb.br/index.php/estudos/article/view/2883/2490. Acesso em: 02 Mai. de 2012.

LEAHY-DIOS, C.; MENEZES, C. L. F. (colaboradora). Língua e literatura: uma questão de educação? – Campinas, SP: Papirus, 2001 – (coleção Papirus Educação).

MACHADO, A. M.; ROCHA, R. Contando histórias, formando leitores. – Campinas, SP: Papirus 7 Mares, 2011. – (Coleção Papirus Debates).
ROCCO, M. T. F. A Importância da Leitura na Sociedade Contemporânea e o Papel da Escola Nesse Contexto.  Série Idéias n.13. São Paulo: FDE, 1994. p. 37-42.

SOARES, M. Ler, verbo transitivo. Disponível em: www.LeiaBrasil.org.br. Acesso em: Abril de 2012.



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